Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2012

As Avenidas de Lama.

As pequenas alegrias
São grandes acontecimentos,
Para as grandes minorias
Que vivem sem alimentos.

O pouco que possam ter
Para eles é riqueza,
Pois tendo para comer
Já não se nota a pobreza.

Habitam o bairro da lata
Da exclusão social,
Onde o cagar é na mata
Ou então no olival.

As avenidas da lama
E os passeios de excrementos,
São os caminhos da fama
De quem vive de lamentos.

Gritos bem lancinantes
Aqui se fazem ouvir,
Mas estas vidas errantes
Daqui não podem fugir.

Assim que tocou o sino
Foi uma sorte maldita,
Que lhes traçou o destino
E lhes marcou a desdita.

Uma vida encurralada
Por viver na Curraleira,
Vivendo sem terem nada
Perdidos na bebedeira.

O álcool aquece a alma
Do corpo que está frio,
Muitas vezes já sem calma
Pensas atirar-te ao rio.

A injustiça humana
Condenou-os á pobreza,
E de forma desumana
A viverem na incerteza.

A não ter casa para morar
Nem sequer pão para comer,
A nada poder comprar
A não saber como viver.

Vivem nas avenidas da lama
Rotos e amarrotados,
Do papelão fazem a cama
De jornal os cortinados.

Vivendo só por viver
Não têm nada a perder,
Estão fartos de saber
Para perder tinham que ter.

Nas avenidas da lama
Que se calhar nunca viste,
Não dormem sequer na cama
Porque ela não existe.

Só existe lodo e lama
Muitos vivem como bichos,
E merda que se derrama
Juntamente com os lixos.

Não têm para comer
Bebem para esquecer,
Nada têm a perder
Nunca param de beber.

São muitas vidas perdidas
Neste enorme labirinto,
Todas elas mal vividas
Bêbedas de vinho tinto.

Zeninumi 18/1/2012

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