Terça-feira, 28 de Dezembro de 2010

Eles comem tudo...e não deixam nada.

A maioria vive a vida
Lutando por um naco de pão,
Para muitos, é causa perdida
É fome sem solução.

Mas há os que vão esbanjando
De tudo o que é comida,
E vão-se banqueteando
Devorando esta vida.

São os chamados glutões
Tudo comem e nada deixam,
São mais que bichos papões
Dos quais os putos se queixam.

Pois estes são ilusões
De quando somos pequenos,
E os verdadeiros glutões
São autênticos venenos.

Comem tudo até fartar
E quando não há mais comer,
Juntam-se e vão vomitar
E começam a beber.

Verdadeiras ameaças
Que tudo vão devorando,
Matam de fome as massas
Mas eles vão engordando.

Tudo isto não é coisa nova
Já vem de muito atrás,
Nós vamos de caixão á cova
Eles enterram-nos com pás.

Sempre fazendo alarde
Á sua ostentação de vida,
Consideram-te cobarde,
Por tu não teres comida.

Alarves sem sentimentos
Monstros sem coração,
Não se ralam com os sofrimentos
Que causam a uma nação.

Porque os há em todo o mundo
Cuidado com os glutões,
Que fazem o mundo imundo
E o transformam em prisões.

Todos na vida queremos
Ter uma vida melhor,
Mas nunca os combatemos
E vivemos sempre pior.

E tu vais vivendo preso
Sem te aperceberes,
Mas vais sentindo o peso
Apesar de não quereres.

Zeninumi 28/12/2010






POEMA A “CRITICOBRINCAR”


RESTAURANTE DE LUXO

MENU
política sem vergonha a despolitizar
futebol com apitos dourados a engrossar
Fátima (santuário) a comercializar
televisão a desinformar
banqueiros e afins a engordar
pedofilia a desfilar
guerra a disparar
SOBREMESA
Por favor, um pouco mais
preciso de engordar.

RESTAURANTE DE “DESLUXO”

MENU
sopa de caldo a fervilhar
barrigas com fome a estalar
desemprego a atulhar
prestações por saldar
cartões-cama a abundar
casas a empenhar
fábricas a encerrar
roupas dos chineses a comprar
férias há muito por gozar
doentes sem médico a definhar
SOBREMESA
Não, obrigada
não quero mais
já estou a rebentar

Este texto foi-me enviado num comentário por a Marta Vasil, mas como o acho adequado a este tema aqui fica publicado, com agradecimentos à Marta.

Domingo, 26 de Dezembro de 2010

Horizontes da memória...

Nos horizontes da memória
Em que é permitido recuar,
Eu lembro-me de cada história
Que nem te quero contar.

Nas brumas da nossa glória
Povo firme e povo honrado,
Ficará sempre na história
Por sofrer sempre calado.

Começou por ser lusitano
Agora já só é luso,
Até tinha um país hermano
Que agora caiu em desuso.

A vida virou parafuso
E tudo se transformou,
O que dantes era luso
Para a UE se mudou.

Esquecemo-nos da história
E do que aprendemos com ela,
E até perdemos a memória
Para não nos lembrar-mos dela.

Ao perdermos a memória
Perdemos a identidade,
E vamos passar á história
Sem prazo de validade.

Mas vamos viver na moda
Como todos os países,
E sempre a andar á roda
Para superar as crises.

A vida perde o valor
E nós perdemos as vidas,
E morremos com a dor
Das promessas não cumpridas.

O orgulho de uma nação
Vê-se por o seu poder,
Mas é sua obrigação
Ao povo dar de comer.

Queremos nós lá saber
Se o país está morrendo,
O que interessa é viver
O resto vamos esquecendo.

Porque fartos de viver
Uma vida de sacrifício,
Nós não queremos morrer
Sem fogos de artifício.

Que possam comemorar
Muitas batalhas vencidas,
Na guerra do bem-estar
Por umas vidas merecidas.

Porque todos merecemos
Uma vida a condizer,
Para isso é que nascemos
Não foi só para morrer.

Porque somos enganados
De todas as possíveis maneiras,
Vivemos ludibriados
Às vezes vidas inteiras.

Tentamos seguir um destino
Que nem sempre está traçado,
E é um grande desatino
Se vamos no caminho errado.

Tentamos seguir atalhos
Com muita promessa na vida,
Mas é uma carga de trabalhos
Toda a promessa não cumprida.

Ao ser sempre explorado
O povo perde virtudes,
E ao ser sempre enganado
Começa a tomar atitudes.

Com isso nada resolve
E só mostra a sua revolta,
Mas a mentira já se dissolve
Na vida que já não volta.

Zeninumi 26/12/2010

http://manualdemauscostumes.blogs.sapo.pt/84924.html



Terça-feira, 21 de Dezembro de 2010

O Natal devia ser...

Leiam bem isto primeiro
E façam-me depois um favor,
Tentem viver o ano inteiro
Sempre com muito amor.

Repicam na torre os sinos
Que tocam por ser Natal,
E todos cantam os hinos
Porque é isso que é normal.

Os que podem fazem festa
E juntam toda a família,
Compram tudo o que presta
Para a noite de vigília.

Oferecem-se presentes
Alguns de grande valor,
E ficam assim patentes
Amostras de muito amor.

O Natal começa a ser
Tudo aquilo que não era,
E todos começamos a ter
O que todos estão á espera.

Esquecendo o mais importante
Que é a razão verdadeira,
E não me chamem de ignorante
Por pensar desta maneira.

Já ouvi dizer algures...

Natal... é sempre que o Homem quiser.

Mas... no dia a dia...não é isso que vejo.

Zeninumi 21/12/2010

Sexta-feira, 17 de Dezembro de 2010

Dores...

Perdido neste labirinto
Entre amarguras já vividas,
Muitas vezes já não sinto
Dores que por outros são sentidas.

As dores que os outros padecem
E que não se fazem ouvir,
Quase nunca transparecem
E nunca as vais sentir.

Cada um sente o que sente
E poucos vão mais além,
Mas por muito que se tente
Ninguém sofre por outrém.

Nesta vida muito se padece
Talvez por ser esse o destino,
E raro é quem se compadece
De teres a vida num desatino.

Na vida todos sofremos males
Ou numa ou noutra altura,
Para o mundo já nada vales
Quando a doença não tem cura.

Por ser muita a hipocrisia
E muito poucos os valores,
A ti de nada te valia
Chorar, gemer ou sentir dores.

As teias que a vida tece
Fazem-te andar ás aranhas,
O mundo todo adoece
Revoltam-se-me as entranhas.

Zeninumi 17/12/2010

Terça-feira, 14 de Dezembro de 2010

Credos e religiões.

Neste Mundo depravado
De credos e religiões,
Tudo aquilo que é falado
É só para arrastar multidões.

São muitos os que insistem
Em arrastar-me para o seu lado,
Mas sendo tantas as que existem
Começo a andar baralhado.

Já não sei qual é a pura
Nem qual é a verdadeira,
Ou se alguma tem a cura
Para toda esta asneira.

São muitas as religiões
E muitos os seus seguidores,
São muitos os charlatões
E os padres enganadores.

Para aumentar a confusão
De toda esta paranóia,
Surge sempre mais uma religião
Onde se tem que pagar jóia.

E quanto mais tempo se arrasta
Em promessas e ilusões,
Mais o meu querer se afasta
De credos ou religiões.

Zeninumi 14/12/2010

Sábado, 11 de Dezembro de 2010

Apesar do que dizem...nós estamos muito à frente.

Equivalência escolar ao 9ºano.








Na ânsia louca de mostrar ao mundo que conseguiu transformar um país de analfabetos num país de letrados, eis o que Sócrates está a fazer a Portugal.
Curso de equivalência ao 9º Ano de Escolaridade como 'Jogador(a) de Futebol'.

Qual Matemáticas, qual quê? Ciências e Línguas?! Bora lá mas é mandar uns bicos na bola, que a seguir é completar equivalência ao 12º Ano como degustador de cerveja...Sem palavras...

E ainda...

http://www.dre.pt/pdf2sdip/2008/03/051000000/1067010674.pdf



Mestrado !!!!!!


Depois de licenciaturas por fax ao domingo.... das novas oportunidades.... dos mestrados de Bolonha... e não sei que mais, eis um mestrado importante!
Não param de nos surpreender!!!


Diário da República, 2ª Série, nº. 51, 12 de Março de 2008


ISTO É PORTUGAL


MESTRE EM GESTÃO E MANUTENÇÂO DE CAMPOS DE GOLFE


Diário da República, 2ª Série, nº51, 12 de Março de 2008
(Encontrado aqui e podem confirmar em


http://www.dre.pt/pdf2sdip/2008/03/051000000/1067010674.pdf


Leiam bem:
Mestrado em Gestão e Manutenção de Campos de Golfe
Não é curso profissional, nem licenciatura, é mestrado!
O doutoramento virá a seguir.


Daqui a nada temos...Um país de especialistas.
Assim teremos depois das novas qualificações adquiridas nos Centros Novas Oportunidades...


Um paquete será um Especialista de Fluxos de Distribuição.
A mulher da limpeza será a Supervisora Geral de Bem-Estar, Higiene e Saúde.
O porteiro será o Coordenador de Fluxos de Entradas e Saídas.
O segurança será o Coordenador de Movimentações e Vigilância Nocturna.
O motorista de autocarro será o  Distribuidor de Recursos Humanos.
O empregado da bomba de gasolina será o Especialista em Logística de Combustíveis.
O trolha será o Assessor de Engenharia Civil.
O empregado de mesa será o Consultor Especialista em Logística Alimentar.
O varredor será o Técnico de Limpeza e Saneamento de Vias Públicas.
A cartomante/taróloga será a Técnica Conselheira de Assuntos Gerais.
A prostituta será a Técnica em Terapia Masculina.
A prostituta de luxo será a Técnica Especialista em Terapia Masculina.
O traficante de droga será o Especialista em Logística de Produtos Químico-Farmacêuticos.
O vigarista será o Técnico de Marketing Direccionado.
O receptador de objectos roubados será o Coordenador de Fluxos de Artigos.
O carteirista será o Técnico Superior de Recolha de Artigos Pessoais.
O ladrão será o Técnico de Redistribuição de Rendimentos.
O político será o Técnico Superior Especialista de Assuntos Específicos Não Especializados.

                          E por fim...
                                                       

Apesar de tantos estudos feitos,
Um engenheiro será sempre um José Sócrates.
 
Zeninumi 11/12/2010

Sexta-feira, 10 de Dezembro de 2010

Vítimas...

Vítimas,são todos aqueles,
Que sofrem maus tratos ou dores.
E sendo acusados, sem serem eles,
Acabam por ter dissabores.

Vítimas,são os que sofrem em solidão.
E mesmo não sendo culpados,
São por todos acusados,
E acabam em reclusão.

Vítimas,são os que em algum momento,
Por mera questão de injustiça,
Tiveram algum grau de sofrimento,
Esperando sempre por a justiça.

Vítimas,são os que vão hospitalizados.
E por não terem um bom tratamento,
Acabam por ficar paralizados,
Impossibilitados de movimento.

Vítimas,são os que sofrem e nada dizem
Silenciando sempre os sofrimentos.
E mesmo, que muitos os pisem,
Não soltam nenhuns lamentos.

Vítimas são todos os que na vida,
Não vivem...
Só sobrevivem.

zeninumi 10/12/2010

Quarta-feira, 8 de Dezembro de 2010

O pedinte.

Uma pobre criatura,
Que vive sem nada ter,
Para a fome não tem cura,
Por não ter para comer.

Para poder sobreviver,
Come os restos que lhe dão.
Mas para isso acontecer,
Tem que estender a mão.

Estende a mão a pedir.
Mas nunca lhe dão nada.
E o que continua a sentir,
É uma fome malvada.

Transformado em pedinte,
Que pede para não morrer.
Passam por ele mais de vinte,
Que nada lhe dão para comer.

O facto de não ser notado,
Faz com que ninguém o visse.
Simplesmente ignorado.
Como se não existisse.

Zeninumi 8/12/2010

http://jugular.blogs.sapo.pt/2391103.html

Terça-feira, 7 de Dezembro de 2010

Há sempre um remédio...

Muitas são as sabedorias,
De certos senhores doutores.
Que dão sempre anestesias,
A quem sente muitas dores.

Se a doença não tem cura,
Por ser crónico o seu mal.
A dor é de pouca dura,
Leva anestesia local.

Para os que são mais idosos.
Se sofrem do coração.
E têm problemas nervosos,
Também há uma injecção.

Se a doença é loucura,
Ou algo que se pareça.
Antes que sofra de tontura,
Dão-lhe uma injecção na cabeça.


Zeninumi 7/12/2010

Domingo, 5 de Dezembro de 2010

Recordar...

Recordar também é viver
Quando mais nada se pode ter.
Recordar é reviver
Mas ás vezes faz sofrer.

Se são boas as recordações
Isso traz-nos alegria,
E dá-nos motivações
Para viver o dia a dia.

Se são más as recordações
Isso faz-nos entristecer,
E causa-nos frustrações
Que muito nos fazem sofrer.

Recordar todo um passado
Ensina-nos a viver,
Pois vemos o que está errado
Para não voltar a acontecer.

Por os erros do passado
Sofremos agora o presente,
Para num futuro esperado
Não errarmos novamente.

Por isso nós recordamos
O que foi o nosso passado,
E por o futuro esperamos
Até ele ter chegado.

E quando o futuro chegar
Vais vivê-lo com cuidado,
Pois vais-te sempre recordar
Dos erros do teu passado.

Um erro paga-se caro
Ás vezes pagas com a vida,
E não é um caso raro
A vida ficar perdida.

Quando a vida está perdida
É que tu vais recordar,
Recordações de uma vida
Que nunca mais vai voltar.

Ao saberes que já não volta
Tu recordas a sofrer,
E sentes sempre revolta
Porque nunca vais esquecer.

E o ter que recordar
Uma má recordação,
Dá vontade de chorar
Ao veres-te na solidão.

Pois já basta este sofrer
Ao viveres na solidão,
Quanto mais não esquecer
Uma má recordação.

Zeninumi 5/12/2010

Sábado, 4 de Dezembro de 2010

Não gosto, nem admito...

Os pedidos de socorro
Que por ninguém são ouvidos,
São a causa porque corro
Para não serem esquecidos.

Não gosto de ver injustiças
Nem gestos sem fundamento,
Pois são as ideias postiças
Que nos causam sofrimento.

Não gosto de quem não reclama
Quando se tem a razão,
E que prefere ficar na cama
Sem nunca entrar em acção.

Não gosto de ver abusos
Gosto de uma vida perfeita,
Porque são os obtusos
Que nunca a levam direita.

Não gosto de ver corrupção
Nem dos que se vendem barato,
Nem gosto de confusão
Nem dos que só fazem desacato.

Não gosto dos disfarçados
Que tentam só fazer parecer,
Que não passam de mascarados
Sem terem querer...nem saber.

Não gosto de quem se ilude
Que o país um dia vai mudar,
E á espera que tudo mude
Nada faz,...senão esperar.

Zeninumi 4/12/2010

Quarta-feira, 1 de Dezembro de 2010

E só tens é que pagar...

Por ironias do destino
ou maldições do passado,
Passas tudo a pente fino
mas não vais a nenhum lado.

Só te calha o que não presta
O que está roto ou estragado,
E sempre só o que resta
é que vem para o teu lado.

Tu tens sempre que pagar
tudo aquilo que consomes,
E vais sempre descontar
do teu trabalho, ou não comes.

Tens é sempre que pagar
até o que não se come,
Passas a vida a descontar
E quando és velho...passas fome.

Há mais um dia que passa
igual a tantos que passamos,
E como que por chalaça
somos nós, que nos matamos.

Dá para parar para pensar
Perder uns minutos na vida,
E poder analisar
a maldade nela contida.

Derretes a inteligência
pensando no que está mal,
Mas com a tua inocência
tens sempre o mesmo final.

Tu só inventas é histórias
que fazem com que te esquives,
São ilusões ilusórias
as que tu pensas que vives.

Quem trabalha é miserável
morrendo a trabalhar,
Vivendo sempre instável
trabalhando no que calhar.

Descontando no salário
O que não é nenhum petisco,
Há sempre um mais salafrário
que tenta a fuga ao fisco.

Mas quando é apanhado
há sempre uma boa desculpa,
Em nada se sente culpado
em nada disto tem culpa.

Esqueceu-se de pagar
De repente ficou surda,
Tu vai-te mas é cagar
desculpa mais absurda.

Há uma certa ironia
nisto a que chamam vida,
Nunca havendo alegria
na hora da despedida.

E vive-se uma vida inteira
a comer para viver,
Quando há sempre uma maneira
em que se acaba por morrer.

Durante esse tempo todo
tu só tens é que pagar,
E saber andar no lodo
sem nunca escorregar.

Porque se um dia tropeças
começas a escorregar,
Disso tu nunca te esqueças
ou pagas sempre a dobrar.

E o que é pago a dobrar
tem um preço muito caro,
Por ele tu vais pagar
o preço de artigo raro.

Pagando a raridade
do que não tem qualidade,
Na tua simplicidade
vives na vulgaridade.

Zeninumi 1/12/2010