Quinta-feira, 24 de Dezembro de 2009

Nulidades.

Impera a nulidade
Que não tem qualquer valor,
Sendo uma futilidade
Não dá conforto nem amor.

Infinita nulidade.
Existência sem fundamento.
Atrofia da vontade.
Pobreza de sentimento.

Tudo aquilo que é nulo
Quando já mais nada resta,
Deixa-me bastante fulo
Somente porque não presta.

Nulidade infinita
Ou infinita nulidade,
É a força que se evita
Por não ter utilidade.

Todos os que nada fazem
E só sabem criticar,
Um dia na terra jazem
Porque não vão cá ficar.

Zeninumi 24/12/2009

Sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009

Papas, Bolos e Tolos.

Tive uma vez um vizinho
Que era muito boa pessoa,
Mas bebia muito vinho
E às vezes ficava á toa.

Bebia até cair de borco
Mas pensou criar um serviço,
A quem lhe desse um porco
Ele dava um chouriço.

Com muitas papas e bolos
E mais algumas iguarias,
Se enganam muitos tolos
E outros com mais manias.

Até o pobre desconfia
Quando é grande a esmola,
Porque no seu dia-a-dia
Não tem coelhos na cartola.

Olhando bem para as caras
Não se vêem os corações,
E mesmo em cenas raras
Não se abrem excepções.

Zeninumi 18/12/2009

 

Quarta-feira, 16 de Dezembro de 2009

Tudo se perde.

Todo cuidado é pouco
Quando a época é de crise,
E antes que eu fique louco
Ainda há quem me avise.

Ouvi alguém que dizia
Atenção tende cuidado,
E como que por teimosia
Tentavam que fosse calado.

A chamada de atenção
Veio em hora oportuna,
Porque em tempo de aflição
Pode-se perder a fortuna.

Perde-se a vida num instante.
Tudo muda num minuto.
O perto…fica distante.
O parvo…torna-se astuto.

Até os que mais amamos
E antes que a vida os deserde,
Tudo o que mais desejamos
Às vezes também se perde.

Zeninumi 16/12/2009

Segunda-feira, 14 de Dezembro de 2009

Querido umbigo.

Por as afirmações que faço
E por tudo o que digo,
Sigo o caminho que traço
Mas cumpro mais um castigo.

A razão está do meu lado
E enquanto isso durar,
Não posso ficar calado
Nem parar de contestar.

Acredito no que faço
E no que posso fazer,
Vou criando o meu espaço
Com tempo para lazer.

Mas sempre com uma lembrança
Porque há algo que pode mudar,
E para que possa haver mudança
Algo tenho sempre que lembrar.

Não olho só para o meu umbigo
Quando há tanto para ver.
Não faço contas só comigo
Porque há muito para fazer.

Zeninumi 14/12/2009

Quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009

Salta á vista.

Vejo falta de vontade
Em resolverem problemas,
Vejo muita maldade
E também muitos dilemas.

Vejo merda e porcaria
E esgotos a céu aberto,
Vejo falta de alegria
E mais um chico-esperto.

Só vejo o que não queria
E o que não me interessava,
Mas que há muito sabia
Por isso não me enganava.

A todos os que se lamentam
Mas nada fazem para mudar,
Digam-me lá porque não tentam
E param de se lamentar.

Por tudo o que eu já vi
Que me custava a acreditar
É que nunca desisti
E continuo a tentar.

Zeninumi 10/11/2009

Domingo, 6 de Dezembro de 2009

Cultura do medo.

Olhando á minha volta
Eu observo os semblantes,
Sinto uma certa revolta
Porque nada é como antes.

O que mais me preocupa
E me faz apreensão,
É todos terem uma desculpa
Para fugirem á questão.

Vivem todos dominados
Por a cultura do medo,
Todos expiam pecados
No purgatório do degredo.

O medo que todos têm
Da vingança de quem castiga,
Esconde o que muitos não vêem
E desses não há quem o diga.

Eu sou um caso isolado.
Sou mais um caso perdido.
Tentam fazer de mim culpado
Mas só porque sou temido.

Zeninumi 6/12/2009